Como mostramos o nível de assistência à condução
A régua que aparece na ficha técnica, no grupo ADAS, usa a escala oficial SAE J3016 — a norma técnica internacional (Society of Automotive Engineers) que define os 6 níveis de automação de direção, de 0 (nenhuma) a 5 (completa). É a mesma escala que a indústria automotiva e a imprensa especializada citam quando falam em “carro autônomo”.
O que a régua mostra não é uma avaliação do Carpedia — é o nível que a própria montadora declara para aquela versão. Não temos como testar em pista se o sistema de cada carro se comporta exatamente como o nível sugere; por isso o rótulo na ficha sempre diz “autodeclarado pela montadora”.
A escala completa
A régua sempre mostra os 6 níveis oficiais, mesmo que nenhum carro do catálogo hoje declare além do Nível 2 — é contexto pra entender onde o carro está na escala inteira, não só o que ele tem.
| Nível 0 | Sem automação O motorista faz tudo — o carro pode ter alertas, mas nenhum sistema atua na direção/aceleração/frenagem por conta própria. |
|---|---|
| Nível 1 | Assistência a uma função Um sistema ajuda em UMA tarefa por vez (ex.: cruzeiro adaptativo OU assistente de faixa) — o motorista continua no comando do resto e precisa supervisionar sempre. |
| Nível 2 | Automação parcial O carro controla direção E velocidade ao mesmo tempo em condições específicas (ex.: piloto semiautônomo em rodovia), mas o motorista precisa manter atenção total e as mãos prontas — é o nível mais comum hoje no Brasil. |
| Nível 3 | Automação condicional Em condições bem definidas, o carro monitora o ambiente sozinho e o motorista pode tirar a atenção da via — mas precisa retomar o controle quando o sistema pedir. |
| Nível 4 | Alta automação O carro dirige sozinho dentro de uma área/condição definida sem precisar de intervenção humana, mesmo que o motorista não responda a um pedido de retomada. |
| Nível 5 | Automação completa O carro dirige sozinho em qualquer condição que um motorista humano dirigiria — sem volante/pedais como requisito. Não existe à venda no Brasil hoje. |
Por que existe um “2+”
Algumas montadoras usam “Nível 2+” em material de divulgação pra sinalizar um pacote de recursos mais completo dentro do Nível 2 (ex.: mais sensores, mais cenários cobertos) — mas não existe Nível 2+ na norma SAE J3016. Tecnicamente, “2+” continua sendo Nível 2: o motorista ainda precisa manter atenção total e as mãos prontas, exatamente como qualquer outro Nível 2.
Por isso, na régua da ficha técnica, um carro declarado “2+” destaca o mesmo degrau físico do Nível 2 — nunca um degrau à parte entre 2 e 3 — com um indicador “+” ao lado, só pra registrar que a montadora declarou recursos adicionais dentro do mesmo nível.
Como aplicamos
- O valor vem de um único campo da ficha técnica (“Nível de assistência à condução”), preenchido a partir do material técnico/comercial que a própria montadora divulga para aquela versão.
- Versão sem essa informação divulgada fica sem régua de nível — nunca estimamos ou inferimos o nível a partir da lista de recursos individuais (mesmo que a ficha traga vários itens de ADAS marcados, como frenagem automática ou monitor de ponto cego).
- Os recursos individuais (frenagem automática de emergência, assistente de faixa, câmera de ré…) aparecem separados, logo abaixo da régua, como uma grade de itens — cada um é uma informação independente, e não é usado para calcular ou corrigir o nível declarado.
Fonte
- SAE J3016_202104 — Taxonomy and Definitions for Terms Related to Driving Automation Systems (SAE International, revisão de abril/2021) — definição oficial dos níveis 0 a 5.
- Nível declarado por versão: material técnico/comercial publicado pela montadora.